Labirinto de Mistérios

Quando se maravilhar com as potencialidades do seu corpo e ver nisso uma prova de que tens uma alma, vida eterna e que és uma criação divina, lembre-se que os soldados têm à disposição os mais avançados equipamentos possíveis. Porém, não deixam de ser buchas de canhão. Apesar da visão noturna, mísseis portáteis teleguiados, drones, fuzis, bombas inteligentes e toda tecnologia de ponta que possam carregar.

Logo, ter a sua disposição o que há de melhor no universo ainda não provaria nada.

Já tive essa ilusão ao refletir sobre a questão da Qualia. Mas, pensando bem, o fato de existir um mistério em nós não significa que sejamos especiais.

Há uma falácia nisso. Os religiosos talvez caiam nela bem facilmente. Insistem serem uma criação e não evolução aleatória, que há Deus, e que a mente é complexa demais para ser fruto do acaso etc. Mas, mesmo se fosse o caso, isso não garantiria nada. Não nos livraria de uma possível insignificância no esquema geral das coisas. : (

Concurso do mais feio do Brasil (feio, porém saudável e não desleixado)

A feiura pode ser engraçada, por isso está muito presente nos programas de humor e existe até concursos pelo mundo para eleger feios.

Porém, fico pensando que os concursos muitas vezes geram imagens desagradáveis ou mesmo perturbadoras (Veja Concurso mais feio do Brasil), pois geralmente os ganhadores exibem graves problemas de saúde (física e psicológica). Graves problemas dentários, desleixo com a aparência, problemas oculares etc.

Então, pensei que devia existir um concurso diferente. Seriam eleitos os mais feios-porém-saudáveis e não desleixados. Os inscritos passariam por um exame inicial e, então, seriam desafiados e incentivados a melhorarem (exercícios físicos, ida ao cabeleireiro/barbeiro, dentista, implantes dentários, oftalmologistas etc.). Parece que até daria um reality show. Depois de alguns meses de preparativos, acompanhados de perto pelo público, haveria o dia do grande concurso.

O Sinal

O papagaio arrebentara a linha. O menino, então, torceu para que não caísse na quadra. A lei entre a meninada era que papagaio que arrebentou a linha não tinha dono. Se caísse lá, todos tentariam pegá-lo e o destruiriam. Depois, o menino torceu para que não caísse naquelas árvores altas, pois seria impossível resgatá-lo.

No fim, o papagaio passou por todos os perigos, pegando uma corrente ascendente de ar, e a linha agarrou numa das árvores. Ele ficou voando, como se alguém estivesse segurando a linha. O garoto teria que esperar o vento acabar para que ele caísse e fosse possível buscá-lo.

Mas o pai do menino apareceu e disse que tinham que ir olhar aquele negócio do trabalho. Estavam precisando de alguém na fábrica e que era hora do moleque virar homem e deixar de vadiagem.

Então, o que parecia o seu último papagaio ficou lá. Voando sozinho, segurado pela árvore.


No fim da tarde, o vento foi enfraquecendo e o papagaio perdendo força e altura até repousar no solo quando não havia mais nenhum vento. Um silêncio completo se abateu sobre a mata. Não se ouvia nem o canto dos pássaros nem o barulho de pessoas ou animais. Era uma área que tinha sido cercada por um cara que era dono de quase toda cidade. Uma gleba onde os rios eram poluídos e assoreados e a mata degradada, e por isso quase não havia vida no local.

E foi naquele silêncio absoluto, que uma estranha criatura percebeu que era seguro sair de seu esconderijo. Era a mais cabreira das criaturas, praticamente impossível de ser vista. Ela apareceu e ficou olhando para o papagaio caído no chão.

Então, uma voz veio da mata: “Pode pegá-lo para você!”

Surpresa, a criatura da mata olhou para o ser que a encarava com uma expressão que denunciava a satisfação de ter flagrado o ser até então considerado impossível de ser avistado.

“Como sabe que posso pegá-lo?” Questionou a criatura da mata.

“É um papagaio. Ele não foi feito para troca ou venda, e há uma regra de que, se arrebentar a linha, ele é de quem pegar!”. Respondeu o observador.

“Sério? Como pode esses seres capazes de tanta destruição terem tal regra. Como podem criar um incrível ser que voa e pode ser de quem tiver a sorte de pegar ?” Questionou a criatura.

“É, eles são capazes disso. Eles são contraditórios.. ou talvez suas invenções os controlem.”

Então, a criatura da mata falou:

“Sabe, você é o mestre da paciência, esteve aí imóvel e escondido o tempo todo para provar a minha existência. Eu, por outro lado, sou o mestre na capacidade de nunca ser visto. Talvez juntos possamos usar nossas habilidades para ajudar os humanos contra os monstros que eles mesmos criaram.”

Então, um vento soprou e fez o papagaio erguer-se no céu até ser visto pelo menino que voltava da fábrica. O papagaio dançou no horizonte, chamando o garoto para se juntar às criaturas.

Carl Sagan e uma teoria da conspiração muito louca

A teoria da conspiração mais louca que já vi é a que armas nucleares não existem. E, como toda teoria da conspiração, ela é baseada em alguns fatos que podem ser verdade. Por exemplo, a existência de um inimigo aterrador dá grande poder ao governo e justifica coisas como gastos bilionários com armas, agências secretas, espionagem, crimes contra a humanidade etc.

Havia um vídeo de quase duas horas no youtube, onde se tentava mostrar que, incialmente, as primeiras bombas eram grandes demais (e logo estavam sendo jogadas nos Japão!), que mísseis balísticos não eram tão precisos (o que, conforme li recentemente, era verdade. Daí terem tantos, pois muitos errariam o alvo) etc.

O tal vídeo conspiracionista é até interessante, embora tente insinuar uma grande conspiração para manter a narrativa do iminente terror de uma guerra nuclear, o que interessava aos vencedores da segunda guerra, pois assim manteriam o seu poder (sem o risco de novos confrontos).

E o que Carl Sagan teria a ver com isso?
Pelo que li, foi Carl Sagan que desenvolveu a teoria sobre o inverno nuclear, e demonstrou quão devastadora seria uma terceira guerra nuclear.

Foi também Carl Sagan que se apresentou como cientista interessado no fenômeno UFO para depois propor que na verdade eram fenômenos psicossociais (ilusões). Estaria ele ajudando a esconder alguma coisa?
Lembro de ter lido no livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios” que ele trabalhou para o governo ou tinha acesso aos arquivos governamentais. Seria, então, que Carl Sagan trabalhava para o governo? Seria um cientista e agente de desinformação?

Lembro de conspiradores falando de cientistas que parecem aparecer do nada e ser tornarem estrelas, tipo o Michio Kaku, Neil deGrasse Tyson e Bill Nye ( o cara da ciência que não seria nem cientista). Teria, então, grandes interesses por trás dessas estrelas do mundo científico…

Mas é claro que não acredito nesses teoristas da conspiração. Porém, acho, que de alguma forma, enriquecem a história. Daria para fazer um filme com Carl Sagan, agentes do EUA e alienígenas em uma reunião secreta conspirando para manter segredos obscuros.

Em relação a Bill Nye…
Como quem produz vídeos assim poderia estar ao lado do mal?

O Brasil da lixeirinha e do pano de chão

Já assisti vídeos de americanos demonstrando espanto ao saber que os brasileiros mantém nos banheiros aquelas lixeirinhas ao lado do vaso sanitário. Uma lixeira onde jogam papel higiênico sujo de fezes. É espantoso para eles, pois nos EUA eles jogam o papel direto no vaso, portanto não precisam lidar com papel sujo depois (e nem fica cheiro de fezes no banheiro).

No Brasil haveria várias justificativas para o fato, desde instalações ruins que podem entupir até falta de tratamento de esgoto. Nesse cenário, o costume de não jogar papel no vaso ajudaria. Então, está bom desse jeito mesmo, e não se toca mais no assunto que o papel não entupiria instalações bem feitas e que o ideal seria exigir serviços melhores de saneamento.

Mas será que questões técnicas são mesmo o motivo?

No início desta pandemia, parece que aumentou a venda desses mops giratórios (esfregãos) que permitem limpar o piso sem precisar ficar lavando e torcendo pano de chão (evitando assim contato com a sujeira e risco de contaminação). Lembro até de alguém falando que um americano tinha dito que os brasileiros trabalham demais, pois lá (nos EUA) eles têm todo tipo de utilidade doméstica (lava louças, secadores de roupa, mops, usam muito papel toalha etc.)

Então, fiquei pensando: por que será que ainda existe essa lixeirinha nos nossos banheiros? Por que nossos legisladores, engenheiros e arquitetos ainda não resolveram isso? Seria por que não é a classe média que tem que lidar com o trabalho sujo?

Recentemente, um outro caso que chamou a atenção. Uma brasileira reclamando do alto salário das empregadas domésticas nos EUA. O que nos remete às manifestações contra a PEC das empregadas e de um famigerado político falando que no Brasil quase todo mundo tem uma empregada (todo mundo da classe dele, que é o que ele considera Brasil, é claro).

Esses fatos mostram que a classe média brasileira está acostumada com a mordomia de ter a sua disposição mão de obra barata. Esses brasileiros (ou melhor, pessoas que habitam o brasil, como alguém já disse) ainda guardam a mentalidade dos tempos da servidão. As reações deles mencionadas acima, reforçam em minha mente o que tinha concluído em pensamentos anteriores.

Minha conclusão é que ainda temos nos banheiros a lixeirinha cheia de papel em que se limpou o rabo por um motivo simples. É por que não é a classe média e a elite que tem que fazer os serviços sujos. Aqui eles não precisam nem lavar as próprias cuecas. Não há incentivo ao aumento das facilidades para o serviço doméstico por que eles possuem essa mão de obra barata. Não se preocupam com o potencial perdido quando pessoas continuam fazendo esses serviços da forma menos eficiente e segura possível.

Mas, para não ser muito pessimista, me lembrei do canal da Revolução Industrial Brasileira e, então, tive a ideia para o fim dessa servidão dos pobres. E ainda por meio de uma solução que permitirá o desenvolvimento do nosso país.

Pensei em incentivos à tecnologia para o trabalho doméstico, gerando aumento dos empregos industriais no Brasil e, consequentemente, dos salários em geral, fazendo então a classe média ter que lavar suas próprias cuecas. Utilizando-se, é claro, de boas lavadoras e secadores de roupas para, se desejarem, nunca mais utilizar varal e, assim, parecer um pouco mais com os estadunidenses, que tanto admiram.

Portas para o Céu

Basta apertar o dedo ao fechar a porta do carro para ver que o materialismo/naturalismo não faz sentido.

Se tudo fosse apenas matéria (ou leis e forças naturais) por que importaria tanto?

A dor funciona melhor que meia hora de sermão, nem é preciso um mandamento do tipo não se autodestruirás.

E não tem como explicar o que é. Apenas que é ruim. O que faz essa dor pior que outras? Intensidade, algum atributo, qualidade?

Então, uma noção bem abstrata de Deus seria até justificável.
A maioria exibe a tendência de acreditar em algo que não pode explicar.
Evolucionariamente pode ser algo que tem alguma utilidade.

Até os ateus, na sua perplexidade, de tentar encontrar e não achar nada, talvez revelem o fato da mente querer encontrar essa realidade última.

Então, a religião podia ser só isso:

Há uma ordem superior, algo responsável pelo universo relativamente ordenado que vemos, algo muito abstrato para ser posto em palavras. Alguma qualidade que faz bem e mal não serem puramente conceitos relativos.

Possessão Demoníaca

Segue uma analogia para explicar o que acontece quando ocorre uma suposta possessão demoníaca:

Deus está com pressa, então resolve utilizar alguém como modelo para criar um novo ser. Ele abre o sujeito para edição e vai mexendo, deleta ali, escreve aqui, copia e cola… Até que se dá conta que salvou por cima do original. Tinha que ter dado um “Salvar Como”. E agora?

Meio indignado com a situação, ele pensa numa solução. Então salva com outro nome, dá um monte de control+z até voltar ao original, dá outro “Salvar Como” e coloca outro nome. Agora é só fechar o arquivo, e localizar o que salvou com outro nome e… Nossa! Que confusão! Aí até Deus fica perdido, e nem sabe mais o que estava fazendo. Salvou antes dos control+z? Só Deus sabe. Melhor começar do zero.

A Trama das Mexericas

O primo mais velho pediu aos dois menores para levantar o arame farpado da cerca para furtar mexericas no terreno vizinho. Então, ele pegou as mais maduras, deu uma aos pequenos e depois distribuiu o resto para família. Não tendo ninguém questionado a origem.

Os pequenos não tiveram nenhum medo já que não tinha risco deles serem pegos já que estavam do outro lado da cerca.

Um dos pequenos disse depois que o medo não seria só de ser pego e apanhar do dono do terreno, mas, principalmente, ser pego e ter que justificar sua ação a seus pais. Ele sabia que não tinha explicação. Era injusto o dono do terreno, que cultivara o pé de mexerica e tinha a expectativa de comê-las, de repente dar de cara com o pé limpo.

Já o menino mais velho disse aos pequenos que deviam ficar tranquilos, afinal todo mundo comera as mexericas sem questionar e agora não seria justo ninguém levar uma surra por isso. Todos já estavam errados.


Assim, no mundo há os que ultrapassam a cerca e os que “só” levantam o arame farpado. Há os que tem medo de uma surra ou castigo, e os que tremem diante da possibilidade de uma simples repreensão. Há até aqueles que auto infligem o próprio castigo, que é aquela terrível vergonha de não ter explicação para o que se fez. Além disso, até os que punem podem acabar indiretamente envolvidos na trama das mexericas.


Foto de Trung Nguyen no Pexels