O Boto do Sudeste


Ele estava ali à beira do poço quando viu uma libélula que voava sobre a superfície da água tocando-a de tempos em tempos como sempre fazem as libélulas.

Ele, então, tirou o seu chapéu e o atirou, conseguindo fazê-lo cair bem em cima da libélula quando ela ia tocar a água.

Depois, caminhou até o chapéu, com água até os joelhos, e ficou ouvindo o desespero do inseto preso dentro do chapéu que afundava lentamente.

Ficou ouvindo o som da criatura colidindo contra o chapéu e de suas asas freneticamente batendo. Ficou ouvindo o desespero dela enquanto restava cada vez menos espaço entre ela e a água. Enquanto o ar esvaía-se pelos orifício do chapéu.

Ele esperou até não ouvir mais nada. Então, quando pegou o chapéu para ver o resultado de sua ação, não havia nenhuma libélula ali. Nem dentro do chapéu, nem na água, nem no fundo do poço de águas límpidas.

Ficou intrigado por algum momento. Mas logo pensou que algum peixe devia ter vindo e comido o inseto.

Ao sair da água e começar a caminhar em terra, ele voltou a pôr o chapéu. Foi quando ouviu sob ele aquele som do voo desesperado libélula. Ouviu aquele bater de asas e o som dos choques dentro do chapéu.

Então, tirou rapidamente o chapéu e deu uma olhada, mas não viu nada.

Olhou intrigado ao redor e para o céu, mas também não viu nada voando.

Aguardou um pouco, se convenceu que aquilo não tinha sido nada, colocou o chapéu novamente, e começou a caminhar.

Mas aconteceu de novo. E dessa vez aquele som veio forte. Quase assustador. Parecia dentro de sua cabeça aquele bater desesperado de asas e corpo contra o chapéu.

Ele, assustado, tirou o chapéu novamente. Olhou dentro dele, chegou a dar tapas na cabeça calva, como se tentasse espantar algum bicho que pousara nela. Mas não havia nada.

Aquela coisa acabou se repetindo sempre que punha o chapéu. E era cada vez pior. Chegou a ter a sensação que a libélula entrava na sua cabeça.

Foi assim que, a partir daquele dia, ele parou de usar chapéu. Ele, que tinha a pele bem clara e era calvo, chegou a um ponto em que não punha mais nada na cabeça. Qualquer coisa que colocava na cabeça o fazia começar a ouvir aquele terrível barulho na cabeça.

Porém, tomando sol todos os dias, a sua cabeça começou a ficar manchada, e com o tempo uma mancha circular no topo dela começou a se destacar. No início era uma mancha preta e lisa, mas depois a pele começou a ficar enrugada e estranha, até que a mancha ficou parecida com um grande furo no meio do topo da cabeça.

Sem a aba para protegê-la, a pele branca da face começou a ficar rosada e muito sensível ao sol, além de facilmente se ressecar. Com o tempo, estranhamente, isso se estendeu por todo corpo e ele passou a ter que ficar sempre se molhando numa banheira que construíra na sua casa. Casa onde ele passou a viver isolado, evitando todo tipo de contato com pessoas e com o sol.

Depois de algum tempo, ele passou a sair somente nas noites de lua cheia, pois a luz da lua não lhe fazia mal e lhe permitia se guiar no campo. E nessas noites, descobriu que podia colocar o chapéu. Algo na luz da lua cheia devia alterar o espírito da libélula. Viu, também, que sob a luz noturna, a sua pele rosada aparentava um tom moreno incomum. Sentiu até que estava bem para ir até o centro da cidade.

Assim, nas noites de lua cheia, ele saía com o chapéu escondendo o que parecia um furo na sua cabeça. Ele aparecia nos eventos. Ele era sedutor e tinha pele misteriosamente morena.

Para ele, aqueles eventos se tornavam como um espelho d’água, onde as meninas eram as libélulas, e as almas delas, o seu chapéu.


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Marionete de Corpos e Dor





Ele sempre ficava ali na dele, no seu canto, mas isso não impediu que ele ganhasse aquele apelido.

Alguém usou a imaginação e o viu no cenário de cabeça para baixo. Notou que ele parecia um gatilho.



Então, ele, que sempre ficava no seu canto, passou a ser zoado todo dia. Era o gatilho, o curvinha, o tortinho, o do canto. Falavam, riam e debocham dele como se fosse só uma coisinha.

Até que um dia alguém teve a ideia de brincar de endireitar Gatilho.

Juntaram uns três, e tentaram endireitá-lo junto à parede.

Ele tentou se desvencilhar, dar chutes e socos, mas isso só ajudou a palhaçada ficar ainda mais engraçada.

No fim, muitos riam, outros olhavam indiferentes, e ele sentia-se muito mal.

A partir daquele dia, passou a ficar longe de todos, pois sempre que podiam já iam para cima dele: “Vamos endireitar o gatilho!”, “Vamos puxar o gatilho!”, “Hora de puxar o gatilho!”, “Dedo no Gatilho!”

Um dia, depois de muito sofrer com aquilo, ele decidiu partir.

Chegou, então, a outro lugar, e no início foi tudo tranquilo. As experiências passadas o faziam tentar ser sempre legal e não provocar ninguém. Nem mesmo os mais fracos e pequenos.

Mas logo alguém olhou para ele, e o viu num cenário um pouco girado.



Alguém o viu fininho e fazendo uma curva. Parecia um mijinho. Foi assim que surgiu aquele outro apelido.

Depois disso, a zoação começou de novo. Tudo era motivo para as piadas, trocadilhos e zoação. Mijo, mijinho, mijão, urina…

E até seu melhor amigo se afastou dele por causa do apelido que começara a ganhar: pinico, o amigo do mijinho.



Então, depois de muito sofrimento, ele partiu.

Virou um andarilho desta vez.

Não ficava mais em nenhum canto. Mas isso não o ajudou. Logo – num dos poucos locais que ainda frequentava – alguém olhou para ele e o viu num cenário girado e invertido.



E um novo apelido surgiu: Gancho.

Assim começou outra palhaçada. Jogavam coisas nele para “ver se ficavam penduradas”. Qualquer coisa mesmo. Era só ter a expectativa de ser engraçado ou inusitado, e já gritavam: “Joga no gancho!” E ele que se virasse para desviar.

Ele, então, voltou a ficar triste pelos cantos…


Mas, daquela vez, já era demais. Acabaria sendo ferido daquele jeito.

Transtornado, ele chegou até a fantasiar algo extremo…



Mas, depois, resolveu fugir da realidade e ir para longe de tudo.

Depois de muito caminhar, encontrou aquele lugar habitado por seres fantásticos. Um lugar onde foi bem recebido e tudo começou feliz e tranquilo novamente. Ali, ele sentia-se à vontade.

Enfim, sentia-se quase uma pessoa normal.

Até que um daqueles novos amigos viu algo ao olhar para ele. Ele, que ainda ficava na dele, no seu canto, sem mexer com ninguém.

A entidade, que se tornara amiga dele, viu o espaço entre o corpo dele e a parede, e sentiu vontade de criar algo naquele espaço. Então, ela fez a sua mágica, e deu asas para ele!

Assim, ele passou a fazer parte do mundo daqueles seres mágicos.

Ele agora tinha asas e podia voar. Ele agora era chamado de Anjo e, às vezes, até de Fênix. Ele agora era querido pelo grupo.

Mas, aos poucos, ele foi ficando diferente. Até que um dia passou a dormir de cabeça para baixo pendurado no teto. Tinha medo de estragar as asas se dormisse deitado, e também queria ficar menos curvado.



Ele tinha cada vez mais preocupações com as asas, saúde e aparência. Tornara-se solitário. Sofria com muitas dores devido às horas pendurado. Pouco voava durante o dia, pois tinha muito medo de estragar as asas, e achava que estava cada vez mais encurvado. Passou, então, a andar e voar somente à noite.


Ele sabia que todos já o achavam estranho. Ele mesmo pouco lembrava do que acontecia nas suas aventuras noturnas. Desconfiava que dormir de cabeça para baixo fazia mal para sua cabeça. Tinha medo de estar fazendo coisas terríveis naquelas noites.

Tinha pesadelos em que era a “A Besta Voadora”. Aquela que diziam que matava qualquer um que a chamasse pelo nome errado.

Nesses pesadelos, ele atacava lançando feixes de irritantes jatos fétidos sobre as suas vítimas, depois as enganchava e as deixava penduradas. Até que gritava para elas “Meu nome é Gamigan!”. E, então, era a hora de puxar gatilho.



Mas, mesmo esses comportamentos tão extremos nos pesadelos pareciam inócuos. Ele, ainda, era o ser que ficava pelos cantos e nada afetava.

Ele, então, passou a ter devaneios em que os seus pesadelos tornavam-se realidade. Ele sentia, no seu próprio corpo, o puxar dos gatilhos que disparavam projéteis, feixes de jatos fétidos-irritantes e ganchos pontiagudos como arpões. Atacava subjugando todos e, por um momento, tinha uma marionete feita de corpos e dor sob seu controle. Tinha uma marionete digna dos seus pesadelos. Até ser clivado de balas pelas autoridades.


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Vencendo Bruce Lee, Sapos, Havaianas de Pau e Fatalities #Tlifi


Tlifi é quando surpreendentes manchetes científicas e de inovação tecnológica me inspiram a criar alguma história fantástica.


Tlifando…

Manchete 01: Madeira à prova de balas agora também resistente ao fogo

Como é sempre fácil imaginar um combatente e seu fatality no estilo mortal kombat, essa manchete me inspirou um personagem que participa de uma espécie de mortal kombat trash.

Esse personagem é um lutador que usa uma armadura e armas feitas com uma madeira super-resistente.

Assim, ele é capaz de dar golpes e fatalities no estilo das havaianas de pau…

Veja como seria:

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Manchete 02: Cantos de sapos otimizam redes sem fios

Nesta história, a gangue é mais esperta do que aquela do vídeo em que atacam um a um, e levam uma surra do Bruce Lee.

Bruce Lee vs Gangue:

Mas, mesmo sendo espertos e atacando no estilo blitzkrieg, não tiveram chance para a versão androide do Bruce Lee.

Derrotado e humilhado, o líder da gangue do mal foi para um pântano distante refletir.

E foi lá que uma espécie de criatura bastante feia o inspirou. E não foi uma espécie de Mestre Yoda, nem alguma forma boba de misticismo ou pensamento mágico. Ele teve inspiração no canto dos sapos. Havia uma harmonia no canto, era tudo orquestrado permitindo as informações serem transmitidas claramente. Inspirado nisso, o líder do mal criou o seu método de ataque para a próxima luta. Agora o coro ia comer pra cima do Bruce Lee Androide.


Inovação Tecnológica, Ficção, Fatalities e Tlifi


Já não dá para ler tudo de fantástico (beirando à magia) que acontece na fronteira do conhecimento.

Hoje em dia, só tenho tempo e energia para correr os olhos no texto dos links.

E só eles já bastam para inspirar instantaneamente historias fantásticas.

Chamo isso de TliFi – Texto do Link instantaneamente para Ficção

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Meu primeiro Tlifi

Notícia: Rádio quântico pega a estação mais fraca do Universo


A história que isso me inspira:

O cientista da notícia é capturado por entidades maléficas para construir o transmissor que permitirá assistir e controlar (jogar) pela primeira vez a maior batalha do universo. Uma luta entre os titãs da galáxia.

É preciso essa tecnologia, pois deve-se ficar a milhões de anos luz do local da luta, pois quando os oponentes se atacarem nada ficará intacto nas proximidades.

Na luta – que será o maior jogo do universo – o golpe de misericórdia (o fatality) e os poderosos golpes com magia serão algo como a explosão de uma supernova na cabeça do inimigo, ou um buraco negro rasgando o espaço-tempo e a alma inimigo, ou o oponente virando antimatéria e levando um beijo da supermassiva morte..

O jogo será algo infinitamente mais explosivo e violento do que isso:

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Tlifi você também, inspire-se com as manchetes de Tudo o que acontece na fronteira do conhecimento.

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O Autista e a Alma das Máquinas

Não sei se o termo certo para a condição dele era autista. O que sei é que ele passava muito tempo assistindo aquela velha televisão. Uma TV que ainda recebia sinais UHF e que passava programas ruins que ele nem prestava atenção.

Quase toda sua atenção estava voltada para os padrões de interferência que apareciam nas imagens chuviscadas, pois era partir deles que conseguia saber de muita coisa que acontecia nas redondezas. Ele sabia quando um liquidificador era ligado, quando o motor de arranque de um carro acionado, quando secadores de cabelo trabalhavam, quando ligavam e desligavam-se outras TVs e até mesmo via rádios a pilha sintonizando canais. Ele podia saber exatamente quando alguém ligava alguma coisa, e era capaz de identificar cada um dos equipamentos.

Baseado no que via da janela do seu quarto, podia até estabelecer a relação entre as pessoas e equipamentos, embora na sua mente parecia que quem realmente controlava aquele mundo eram as máquinas. Continue lendo “O Autista e a Alma das Máquinas”

Uma Experiência Alienígena

Devido a más condições no espaço interplanetário, o explorador solitário teve que ficar muito tempo na superfície de um planeta inóspito. Lá, havia apenas uma espécie de ser inteligente constituída por seres estranhos que não possuíam nenhuma expressão facial. A face deles era lisa, de aspecto plástico e sem movimentos. Interagiam por meio de um topete que usavam para tentar impressionar ou intimidar uns aos outros.

Foi por acaso que o explorador acabou cuidando de um daqueles alienígenas que encontrou abandonado quando ainda era um filhote. Ele se surpreendeu ao perceber que o ser, desde pequeno, também tinha grande empolgação em participar das incursões exploratórias que faziam nas proximidades do seu local de pouso.

Então, um dia ele resolveu modificar aquele ser que tinha se tornado um amigo para ele. Ele já até o chamava de “O Cara”. Ele queria que ele se tornasse uma companhia mais agradável.

Ele coletou células dos músculos e nervos que controlavam topete do alienígena, e usando suas avançadas técnicas de engenharia biológica as usou para criar músculos e nervos que foram utilizados para dar ao ser a capacidade de expressões faciais bastante complexas.

Em relação à inteligência pouco sofisticada do ser, o visitante pensou que alguns biochips no cérebro aumentariam a riqueza das experiências mentais e, consequentemente, permitiriam uma rica gama de expressões faciais.

Dessa forma, o explorador esperava criar uma boa companhia para o longo período que teria que passar naquele planeta, até que as condições desfavoráveis no espaço interplanetário dissiparem.

O fato de dar expressões à criatura a partir de células de músculos e nervos provindos de um mecanismo que antes era usado exclusivamente para intimidar e impressionar não preocupou o explorador. Ele sabia que o controle das expressões é feito somente pelo cérebro (não há memória ou intenção em músculos e nervos), portanto, não havia risco envolvido.. O cérebro é quem comanda tudo, logo estava tudo sobre controle, pensava o explorador solitário.



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E a brincadeira passou dos limites…


À noite, ele olhava para as paredes descascadas do seu quarto. Estavam assim bastante descascadas porque a pintura não tinha fixado corretamente. A pobreza daqueles tempos levava as pessoas a tentarem economizar cimento utilizando muito barro no reboco.

Apesar daquelas áreas marrons na pintura azul deixarem o seu quarto feio, sob a luz fraca e amarelada da lâmpada incandescente, elas o fazia pensar em continentes de outros mundos onde histórias fantásticas acontenciam. Esta foi a sua última lembrança antes de adormecer.

Na manhã seguinte, como não tinha nenhum amigo, ele estava no terreiro brincando de jogar futebol sozinho. Ele tabelava com a parede, driblava o cabo do varal, dava um meio chapéu num balde e chutava no cantinho do gol (na verdade, perto do encontro do muro e uma parede nos fundos da casa).

Na brincadeira, talvez influenciado por alguma história que já lera, ele gostava de pensar que o jogo acontecia num mundo distante, numa outra galáxia onde existiam times e jogadores com nomes nunca pronunciados no seu mundo. Então, parava e tentava pensar o nome dos times da partida que iniciaria. Ficava tentando criar na mente alguma palavra que soasse estranha e inexistente no seu vocabulário. Mas era extremamente difícil criar tais palavras.

Ele – que deveria estar se divertindo, chutando aquela bola no terreiro feito qualquer menino – estava ali paralisado tentando buscar palavras inusitadas na sua mente. Foi quando, de repente, uma sequência de palavras saíram da sua boca. Palavras que pareceram ser algo muito além de apenas palavras aleatoriamente formadas. Soaram como se cheias de significado e magia.

Mas, o menino nem pôde prestar atenção no que falara, pois avistara naquele mesmo instante um objeto voador no céu. Um objeto que flutuava e brilhava de tal forma que parecia certo que havia algo inteligente no seu interior.



Eles

Os dois seres tinham ficado curiosos, e, por isso, pararam para observar a pequena criatura parada no meio do terreiro. Aqueles dois visitantes não eram de se impressionar com coisas estranhas. A própria amizade deles tinha surgido assim. Eles apenas se perguntavam se ali estava uma situação para ser estudada.

Continua.


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Os Abismos Humanos e o Politicamente Correto

Lembro-me de que soltávamos os papa-capins muito novos que capturávamos. Aqueles ainda pardos. Os únicos que caíam no nosso alçapão. Nos queríamos só os que já começavam a ganhar a coloração dos machos adultos, pois as fêmeas não cantam e são sempre pardas. Foi quando tive aquela ideia de pegar um dos que íamos descartar e lançá-lo bem alto e longe. Não vi nada de mais nisso, pois eram seres que voam. De fato, pareceu que ele nem teve muita dificuldade de recobrar o controle e voar para a mata.

Lembro-me também de quando numa pescaria, ao pegar um lambari muito pequeno, em vez de colocá-lo de volta na água, resolvi arremessá-lo o mais longe que podia em direção ao meio do lago. Não vi problema nisso, a água o amorteceria e ele era adaptado a ela.

E, por último, lembro-me de quando, ao ver um cão passando na rua, eu punha a mão no chão, e só isso já era suficiente para ver ele sair disparado com medo de levar uma pedrada.

Hoje, pensando nesses fatos, vejo muita estupidez. O pobre passarinho, uma criatura tão delicada sendo jogada para o ar como uma coisa, sofrendo aquela imensa aceleração e saindo da mão como uma pedra. Certamente, pode ter se machucado. E o peixe, puxado violentamente para um meio estranho e, depois, sendo lançado com toda aquela velocidade. Pode ter perdido uma nadadeira ou até um olho.

E o pobre cão? O coitado perdera parte do seu agradável e alegre passeio pelo bairro.

Hoje sei que todas essas ações de fato tinham uma única motivação, não percebida na época. Era o desejo de sentir poder sobre outros seres. Desejo só possível de ser exercido devido a falta de empatia e à ignorância.

Mas, é claro que não se podia esperar muita empatia pelos animais em crianças que estavam capturando seres para passarem anos presos numa gaiola (já pesou o que é passar estressantes e entediantes tardes inteiras numa gaiola), ou em quem se diverte puxando criaturas aquáticas com um anzol pontiagudo enfiado na boca (é claro que o peixe deve sentir uma dor terrível).

Lembrando-me desses fatos, tentei pensar no que seria, no mundo dos humanos adultos, o equivalente àquela mão de criança. E o que eu encontrei foram palavras.

Palavras… É com elas que os humanos podem ser lançados como coisas para dentro dos seus próprios abismos. É com elas que se pode ameaçar dar pedradas nas partes mais vulneráveis do ser. E tudo isso sem culpa nenhuma, pois eles deveriam estar muito bem adaptados aos seus abismos. E, também, por que não há nenhuma pedra real.

Assim, a falta de empatia, a ignorância e a vontade de poder sobre os outros nos tornam incapazes de perceber o quão brutas e ameaçadoras podem ser as palavras.

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O Caranguejo Venenoso

Rascunhando num pedaço de papel, o desenhista pensou em criar um personagem para ajudar a despertar um pouco de empatia dos humanos pelos caranguejos. Ele sabia que ainda se cozinhava caranguejos vivos antes de comê-los.

Pensou também em colocar flechas na história, porque a forma como são feitas demonstram como os humanos podem ser maus.

As pontas das flechas são feitas para que a pessoa atingida não possa puxá-las de volta. Elas se engancham na carne quando se tenta arrancá-las.


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Então, o desenhista começou a pensar num mundo onde não existiria tais crueldades. Seria um mundo onde sempre se usaria flechas com potentes venenos em suas pontas. Seriam venenos que matam num instante. Assim os atingidos pelas flechas morreriam de forma instantânea. Não existiria o sofrimento de se ter uma flecha encravada no corpo.

O desenhista imaginou também um mundo onde ninguém pensaria em comer um caranguejo, pois os fluidos corporais dele seriam extremamente venenosos.

Mas, então, veio a mente do desenhista alguém capturando os caranguejos para colocar os fluidos deles na ponta das flechas. Já que eles eram extremamente venenoso, alguém pensaria nisso. O desenhista percebeu que acabara de pensar num mundo sem aquelas terríveis flechas encravadas nos corpos humanos, mas não conseguira resolver o problema dos caranguejos. Continuariam sendo caçados e sofrendo para se produzir veneno para as flechas.

Assim, ele percebeu que não é possível criar um mundo perfeito nem na fantasia. Logo, o personagem que ele criaria teria que ser venenoso em todos os sentidos, e, ainda assim, despertar a empatia dos seres humanos.

Começou, então, a desenhá-lo…


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Farejando Melhores Amigos


Minha letra feia e umas palavras no plural me inspiraram a criar este ser.

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Um ser extremamente social e de faro apuradíssimo, e, por isso, já pronto para meu novo projeto. Assim surgiu Leva, um cãozinho especial.

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Ele foi treinado para ser capaz de farejar grupos onde há o máximo de harmonia entre os membros.


Inteligente, sensível e com faro apurado, ele aprendeu rapidamente a identificar os cheiros de cada membro de um grupo; analisá-los, e, então, saber o grau de compatibilidade entre eles.

Leva - pessoas.jpg

Leva é irresistivelmente atraído pelos grupos onde há o máximo de harmonia e companheirismo.


Ele foi criado para guiar o dono até os melhores lugares para se viver.



Até onde você quer que ele te leve?



Leva - Steemiters.jpg

Leva - Pensadores.jpg

….


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